
Blog sobre literatura, música, cinema e arte. Sobre poesia. E sobre o que for para comer.
sábado, 3 de outubro de 2009
Maria Adelaide Amaral

quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Prêmio Nobel de Literatura

Está aberta a temporada do Prêmio Nobel. O primeiro dos seis (Física) será anunciado em Estocolmo em 05 de outubro. Nem preciso dizer que o que mais me interessa é o de Literatura. É como um ritual acompanhar a bolsa de apostas londrina Labrokes.com, conferir quem tem mais probabilidades (embora nunca acertem) ou ler os críticos e blogueiros de plantão dando seus palpites. Acompanho tudo e faço minhas apostas. Tenhos meus nomes preferidos, aqueles que gostaria que ganhassem o prêmio e é por eles que torço.
Quem me conhece sabe que sonho ver o prêmio concedido ao antropólogo Claude Lévi-Strauss, 101 anos. Alguns não-escritores ganharam o prêmio ao longo dos seus mais de cem anos de história: Theodor Mommsen (historiador), Henri Bergson (filósofo), Winston Churchill (estadista) e Jean-Paul Sarte (filósofo) são alguns deles. Portanto não seria antiprotocolar entregar a Lévi-Strauss o Nobel, por tudo o que ele representou para as ciências humanas no século XX. Mas acho que não verei isso acontecer. Mas ficarai bastante contente se a laureada fosse a norteamericana Joyce Carol Oates ou a canadense Margaret Atwood. Grandes damas das letras, ambas merecem o prêmio por suas obras que transitam pelo feminino e suas ramificações (Oates) e pelo universo fantástico e absurdo contemporâneo (Atwood). Também torço por Philip Roth (eterno candidato) e seus retratos da sociedade americana de nosso tempo ou Mario Vargas Llosa, que amei desde sempre, quando li "Pantaleão e as visitadoras".
P.S.: As fotos são de (de cima para baixo) Mario Vargas Llosa, Philip Roth, Margaret Atwood, Joyce Carol Oates e Claude Lévi-Strauss.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Guardanapos de papel
"Guardanapos de papel"
(Leo Mallish / Carlos Sandroni)
Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas
Trombetas e sempre aparecem quando
Menos aguardados, guardados, guardados
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares, seus pares
Seus pares e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
Partidas entre mortos e feridas, feridas
Feridas mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Não desejam glorias nem medalhas, medalhas
Medalhas, se contentam
Com migalhas, migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras com seus
Versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
Projetos, projetos, que jamais são
Alcançados, cansados, cansados nada disso
Importa enquanto eles escrevem, escrevem
Escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas
Como se fossem cometas, cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas, canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares, milhares, milhares
De palavras retrocedendo-se confusas, confusas
Confusas, em delgados guardanapos
Feito moscas inconclusas
Andam pelas ruas escrevendo e vendo e vendo
Que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e ao mundo inteiro
Inteiro, inteiro, fossem vendo pra
Depois voltar pro Rio de Janeiro
É um bela homenagem àqueles que tem como ofício a palavra. Àqueles que lavram. Lavram a palavra, como diz o vídeo. Emocionou-me, espero que a vocês também emocione. Aqui vai o link do vídeo (cliquem tranquilos, não é vírus):
http://www.youtube.com/watch?v=GnZ-jyDDp6k
Abraços poéticos,
Do Jorge.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Wislawa Szymborska

I prefer movies.
I prefer cats.
I prefer Dickens to Dostoyevsky.
I prefer exceptions.
I prefer keeping in mind even the possibility
Prefiro filmes.
Prefiro gatos.
Prefiro os carvalhos ao longo do Warta.
Prefiro Dickens a Dostoievski.
Prefiro gostar das pessoas a fazer amor.
Prefiro ter linha e agulha a mão, por precaução.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não manter aquela razão,
culpada por tudo.
Prefiro exceções.
Prefiro partir cedo.
Prefiro conversar algo com os doutores.
Prefiro antigas ilustrações.
Prefiro o absurdo de escrever poemas
ao absurdo de não escrever poemas.
Prefiro o amor interessado, das datas inesperadas,
a ser celebrada todos os dias.
Prefiro os moralistas
que não me prometem nada.
Prefiro a boa astúcia à falsa confiança.
Prefiro a terra nua.
Prefiro ser conquistada a conquistar.
Prefiro ter algumas reservas.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro os Contos dos Irmãos Grimm às primeiras páginas dos jornais.
Prefiro abandonar flores a ver flores abandonadas.
Prefiro cães com rabos não cortados.
Prefiro olhos iluminados, desde que os meus sejam escuros.
Prefiro mesas de desenho.
Prefiro muitas outras coisas que não mencionei aqui,
muitas outras coisas também, indizíveis.
Prefiro os zeros
aos números de grande cifra.
Prefiro o tempo dos insetos ao tempo das estrelas.
Prefiro bater nas árvores.
Prefiro não perguntar quão longe e quando será.
Prefiro imaginar que cada possibilidade
da vida tem sua própria razão de ser.
Wislawa Szymborska
(Traduzido por Jorge Luís Verly Barbosa, 1996)
sábado, 18 de julho de 2009
Um comprimido para dormir...
Caiu e já vai alta a noite, eu também caio no sono...
Antes de dormir, um poema, com uma drágea, balsâmica, que me fará repousar, para o meu sono de beleza (poética, não estética, é claro):
Dentro de mim há pássaros
e eu me sinto cansado
de partir.
Sou homem e não sei
para onde ir.
Sou pássaro,
não sei porque me espantam.
(Carlos Nejar)
Do Jorge.
domingo, 12 de julho de 2009
O barco mítico

Leitura de férias




